sábado, 7 de novembro de 2015

Livre-se dessas convivências forçadas (Deve ser o que chamam túnel do tempo)

Verdade seja dita, aquilo que nos aprisiona são paradigmas que nos impomos. Derrubá-los é chave para o autoconhecimento, e o autoconhecimento é a chave para a real liberdade.

Por isso, tenho pensado que se um dia pretendo realmente sentir-me realizado nesse processo de movimento continuo ou inexplicável inercia que é existir, devo despir-me daquilo que me foi imposto: Convivências forçadas.

Diariamente somos obrigados a conviver com o ódio, que por sua própria natureza se multiplica em nós mesmos, como doença contagiosa que nos priva os sentidos e embaça a nossa visão das coisas. Mas quando se está bem consigo mesmo, uma barreira é construída ao redor de nossa consciência, bloqueando os ataques do ódio.

O tempo passa, e em sua passagem leva consigo muitas coisas e trás tantas outras. Sim, a verdade está também nos clichês e nas frases prontas. Ser sábio não é necessariamente ser inovador, afinal a inovação pode ser apenas uma nova perspectiva aplicada a um velho costume.

Tudo isso é muito subjetivo, mas a subjetiva das coisas sempre me encantou.

"Há uma luz no fim do túnel e não é um trem na contramão".





terça-feira, 6 de outubro de 2015

Buscar uma motivação para toda essa falta de sentido

Cansaço, este era o mal que tomava conta de seu ser, cansaço causado por uma dependência. Dependência vista como benigna, pela maioria das pessoas que, como sempre, são alheias a essência dos outros, pois só vivem para se alimentar de efêmeras aparências e de sagrados sentimentos profanos.

Mas aquele com o olhar mais atento, ou mais treinado pelas circunstancias, consegue visualizar a verdade escondida por trás daquele rosto sem expressão.

Havia uma especie de sangue-suga ou verme preso sob sua cabeça, sugando lentamente sua mente. Preso por correntes fortes, não tinha como escapar do seu fardo, pois ele se apresentava na forma de pertenças responsabilidades.

Em seus momentos de pausa, a corrente era acrecida de mais alguns metros a fim de dar-lhe uma falsa sensação de liberdade. Mas em seu cerne, o verme continuava agir, sugando suas forças e
seus anseios por real liberdade.

Com o passar do tempo, por mais breve que foste esse passar, seu semblante se esvaziava de significância. Ansiava apenas os momentos de solidão, quando podia se despir da mascara de serenidade que escondia sua loucura. Somente um objetivo poderia libertá-lo daquela situação, mas o preço não era baixo.

Ter um objetivo para ele, seria encarar as coisas em função de algo, buscar uma motivação para toda aquela falta de sentido.








terça-feira, 4 de agosto de 2015

Uma questão de perspectiva #03

Quanto vale a vila,
que a gente já vendeu,
por um preço bem barato,
só pra poder valorizar,
o restinho de vida que sobra,
isso sem levar em conta,
o resto desse resto,
que a gente usa,
pra tentar esquecer da vida?

Quem vem me prestar as contas,
desses tantos momentos que gastos,
pra ficar com as migalhas,
dos momentos que me sobram,
pra tentar me contentar,
com essa estória de "verdade"?

Pois que venha me aliviar o fardo,
daquilo que levo comigo,
seja pra longe ou pra perto,
que é ter que lidar todos os dias,
com a presença de mim mesmo.





segunda-feira, 1 de junho de 2015

A essência dúbia de uma parede

Certo dia numa cidade, caminhava tranquilo pensando no nada, que de tão inconcebível me pego sempre pensando nele. Na realidade as pernas são a força propulsora de minha cabeça, o seu movimento ativa as engrenagens de minha mente confusa, por isso quando me toma a angústia, me ponho em serena caminhada.

Pois nesse dia algo desviou a atenção dos meus questionamentos interiores: triste lamento vindo de um ponto próximo ao que me encontrava. Curioso e sinceramente tocado por aquele choro, procurei sua origem. Descobri que vinha do muro lateral de uma casa, não de dentro do muro, mas do muro em si.  Decidi pois questionar o motivo do pranto daquela figura singular feita de tijolos.

— Bom dia senhor, se me permite, não pude deixar de notar vosso pranto, tomo a liberdade de perguntar-te o motivo, se não for ofensivo de alguma forma claro.

— De forma alguma, pois em todos esses anos em que canto minha dor, tu és o primeiro a se interessar por ela,  — seu pranto cessara mas sua voz continuava triste e lamentosa — penso que nem todos tem ouvidos para ouvir-me.

— Pois bem então diga-me, que mal te toma assim dessa maneira, que mesmo em bom estado de conservação, e cercando uma residencia que apesar de não ser tão grande, possui uma aparência extremamente digna, choras de forma tão copiosa?

— Meu caro, lamento minha própria essência, fatalmente dúbia. A angústia me toma de tal forma que só em penar no meu ser, me acabo em lágrimas.

— Pois também eu vivo em angústia, e de tanto conviver com ela já lhe sou terno, aprendi a examina-la como parte de minha jornada. Mas me conte mais a respeito dessa sua essência dúbia.

— Acontece que, sou feito para proteger, mas também sou feito para aprisionar. Isso me impede de ter um propósito claro pois tiro e dou liberdade. Não consigo me definir de forma clara pois nunca soube, nem nunca sei onde termina uma função e começa outra, apenas faço, e isso me deixa triste.

— Se lhe serve de consolo, todos temos um pouco dessa natureza, te digo isto com convicção. Tente examinar seu caso por um prisma diferente, pois liberdade e falta de liberdade, estão condicionadas a nossa compreensão, que sofre com os caprichos do meio que nos molda. Saiba que um dia eu retornarei ao seu encontro e nesse dia espero que tenha dispertado uma visão menos pragmática a respeito de si. Por hoje devo partir pois minha hora é chegada.

terça-feira, 26 de maio de 2015

A Reunião

Nesta reunião em especial, por insistência do terceiro membro, os sócios admitiram a entrada dum quinto membro, isso lhe custaria uma advertência por parte do chefe mais tarde e do quarto membro no decorrer da própria reunião.

Bem, pode-se dizer que o convidado não só não acrescentou nada ao debate, mas também subtraiu muito dele, por sua própria natureza de ser falante. Ser falante não é bem o problema, mas sim as falas que se apresentaram extremamente deslocadas de sentido no contexto geral daquela reunião.

O fato é que no fim das contas, a produtividade foi prejudicada por este evento. Só o tempo poderá diminuir os efeitos desta falha, mas algum esforço também se fará necessário por parte dos três primeiros membros. Usar o tempo ao seu favor, é isso que se faz necessário nos dias de hoje.

— Tenho um grande apreço por ti, isso não nego, mas a falta de contexto é evidente em suas falas — dizia o terceiro membro, sob a influência do quarto, no dia seguinte a reunião, para o convidado — Não quero lhe magoar, mas sua presença não é
algo que queremos no futuro.

— O fácil é o certo, em verdade te digo, não vejo mal em ser como sou  — respondia o ex-convidado num tom de voz que revelava velada mágoa — se não vos agrada minha essência, saibam que não faço questão da vossa.

E assim foi cortado um antigo laço de amizade e companheirismo. Por mais que eles ainda vivessem juntos, por mais agradável que fosse para um estar na companhia do outro, uma barreira invisível os separava de alguma forma, tudo iniciado naquela reunião.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Sobre galáxias, buracos negros e fantoches

Acontece que ele estava posto em admiração, admiração do nada como de costume, repousava pois o olhar sobre a sua galáxia. Foi nesse momento que apareceu o anjo, dotado de uma uma plumagem esverdeada, olhar sereno (desses de quem tem muita certeza acerta de si mesmo, condição indispensável numa figura que almeja a ciência do eterno).

E assim, sob influência da incandescência esmeraldina vinda naquela singular figura que planava sob sua cabeça, fez essa explanação a cerca de sua galáxia, agora imbuído de um olhar detalhista e cuidadoso. Eis a descrição que fez acerca de sua galáxia:

"Este sistema, assim como muitos outros, não possui um centro único mas uma tríade. São dois buracos negros posicionados ao norte e um mais ao sul. Os do norte possuem o mesmo diâmetro um do outro e o do sul possui o equivalente a soma dos do norte. A força de atração dos dois buracos menores se unem em uma única força.

Essas deformações no espaço, que giram sempre no mesmo sentido, geralmente no anti-horário, absorvem todas as energias que as cercam, condicionando assim toda a noção de existência da galáxia. Assim, condicionada, a galáxia luta por se libertar de sua própria essência, e por sempre sair derrotada desta batalha, prefere ignorar a existência do inimigo.

É como um fantoche que foi dotado de consciência mas permanece sendo manipulado pelo ventríloquo. A consciência de si não o liberta do domínio de sua existência, sua existência estará sempre condicionada a existência do ventríloquo.

No final tudo se resume aos movimentos do jogo, e não do resultado do jogo em si. É assim com esse sistema e é assim com muitos outros. Escrava de sua noção de liberdade, condicionada a tríade de buracos negros, que por sua própria definição, são deformações causadas no espaço tempo, que deformam tudo que lhes adentra. 

A busca por uma luz vem sendo sua motivação nas últimas eras, essa luz pode ser a contemplação e a busca por respostas, pois quem observa o universo torna-se parte importante dele, disso agora tenho consciência."


terça-feira, 14 de abril de 2015

Conversas com o oráculo #02

Discurso do oráculo a respeito dos sentidos e das percepções

Assim falou o oráculo, com voz imponente e firme, sua fala me transmitia sublime sentimento de calma, luta já vencida contra o receio do porvir de Morfeu, mal que me toma nesses momentos:

"É fato notório que todos temos um estado dito normal, estado em que na maioria das vezes somos conscientes do existir. Assim também é notório que temos um estado dito não-normal (anormal é uma palavra que devemos ter grande cautela ao usar).
Conscientes disto, é importante apontar que são diferentes os graus com que percebemos nossa influência no mundo e nossas condições existenciais. A normalidade é porto seguro para uns mas prisão nefasta para outros.
O meio nos molda constantemente, para isso basta conhecemos os limites próprios de nossas percepções. Essas percepções são limitadas pelo meio, principalmente o meio social. Para moldar nossas percepções numa forma mais ampla, é preciso treinar os nossos sentidos. Tendo então superado e suportado essa barreira que nos é imposta desde a nascença, teremos condições vividas de penetrar no fundo das lições de Gaia."

Me pus a refletir sobre a fala do oráculo, logo vi que era cheia de propriedade.
Continuou então o oráculo:

"Dito isto, poderei agora explanar a respeito dos pilares das modernas sociedades judaico-cristãs ocidentais: A família, a religião e o estado. Começo pela família..."

E se pôs a falar. Conhecia profundamente aquilo que minh'alma tinha em seu fundo, por isso poucas perguntas me foram necessárias para ter respostas.



segunda-feira, 6 de abril de 2015

Conversas com o oráculo #01

Estava eu posto em caminhada, dessas que começo sem ter motivo, apenas para sentir o movimento dois pés, e inundado nas águas de sórdidos dizeres vindos de meu interior. Pois de forma despretensiosa me pus a caminho de Delfos, atraído por livida melodia oitavada, meio simplória mais cheia de conteúdos ocultos, destes que brotam na cabeça de quem ousa transformar um impulso primitivo em canção.

Avistado o monte pude perceber que longa fila o rodeava, fila esta composta por variados tipos de seres, uns meio humanos, outros meio bestas, outros híbridos. Postei-me em posição derradeira, atrás de uma figura que me lembrava Taweret, e supus que ali não haveriam pois privilégios nem para as divindades de outrora, na verdade nem para as de hoje.

Sinal desse trato igualitário dado no templo era o próprio formato do templo em si, uma caverna que muito lembrava a de Zaratustra. Devo dizer que dispus de agradáveis diálogos nos dias que foram necessários em espera, em especial com um monge bêbado que me fez lamentar minha condição sóbria, porém devo tratar destes assuntos em texto separado para não desviar o objetivo deste.

Pois na entrada da caverna-templo encontrava-se inscrita a famosa frase: " Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo". Fui informado por um servente do local que atribui-la aos sete sábios era um erro comum. Em verdade vos digo, a autoria pertence a Hermes Trimegisto.
Pois ao entrar na caverna descobri que esta dava para uma entrada menor, coberta por uma porta muito simples, sem nenhum adorno especial, com um aviso escrito de maneira tosca com tinta vermelha (daquelas bem baratas), "SALA DO ORÁCULO, PARA PODER ADENTRAR ESTE SAGRADO RECINTO MUNDANO, DEIXE SUA OFERENDA PARA O DEUS APOLLO NO PRATO AO LADO". Ao lado, além do prato, havia um caderno desses que se compra em qualquer papelaria, para que os visitantes pusessem escrever a sua oferenda, destacar a folha e por sob o prato, que era de porcelana finíssima.

Assim fiz, solícito, logo depois me foi autorizado entrar na sala do oráculo. Sala esta que se encontrava num breu quase absoluto, a não ser por um pequeno espaço que era fracamente iluminado por uma vela de sete dias, dessas que as pessoas acendem para os orixás.
Desse pequeno espaço veio a voz grave, mas ao mesmo tempo suave, severa mas delicada, misteriosa mas estranhamente familiar, que tomou toda a minha atenção (coisa que não é fácil).

– Aqui tu chegaste depois de longa espera, longa porém merecida, esta é sempre a primeira lição: paciência. Faça pois a sua pergunta.
– Acontece que já nem lembro mais o motivo que trouxe até aqui – disse com toda sinceridade – perdão pela minha estupidez.
– Por sorte sua sou oráculo, e nesta condição não entrei sem méritos, tu mesmo viste tão longa fila de espera que se forma para uma consulta comigo. Senta pois e escuta aquilo que tenho para dizer.
Sentei no chão mesmo, o chão era coberto por confortável grama, e nem pus a escutar os dizeres de tão sabia figura.
– Tudo que está embaixo também esta encima, guarde isso, nossas percepções nos limitam. Falarei primeiro sobre sentidos e percepções, estes falsos Virgílios que nos levam pela canhota nos círculos terrenos.

 

sábado, 21 de março de 2015

Uma questão de perspectiva #02

Um grande erro que cometemos com frequência
é enxergamos os outros como extensões de nós mesmos.

Isso nos limita e nos aprisiona dentro dos limites
de nossas falhas percepções.

Muitas vezes me vejo solitário em meio a multidão,
os que me cercam são apenas componentes
do cenário em que se desdobram meus pensamentos,
meros habitantes de uma dimensão paralela,
intercalados pela minha necessidade de companhia.

Partes da projeção da minha mente,
indivíduos desimportantes porém necessários
para minha compreensão de existência.

Tudo isso fruto da minha condição humana,
fruto da minha incompreensão da perfeição, perfeição essa
inexistente no mundo real,
mas difundida pela crença nociva em seres superiores.

Culpa do meio, sempre ele.

Ter outros como parte minha, me faz buscar
um certo domínio ilusório sobre estas partes,
o que me angústia devido o fracasso dessa busca.

Compreender os outros para poder se compreender,
eis a chave que me apresento no momento.

Esperto ter a ciência necessária para poder usá-la.


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Divagação #02

Não sei, mas acho que as vezes,
temos que nos mostrar de alguma forma,
algum impulso que vem de dentro
e transforma tudo em nada ou nada em tudo.

Assim eu choro sorrindo, fico parado andando
sem ir pra nenhum lugar, escrevo sem nem
saber o porquê da escrita.

Quando olho, com olhos vazios, pros outros,
meus olhos se encher de algo, mas o que
seria isso? Alguém me responda.

Afinal fomos macacos, hoje somos homens
e amanhã virá o super-homem,
aquele que se libertou dos desejos
para poder viver sua vida vazia de objetivos.

O que me atormenta é a angustia,
e o que me angustia é o desejo.
É a liberdade que me prende a ela,
a necessidade de agir.
Mas como agir diante disso?






domingo, 18 de janeiro de 2015

Uma Questão de Perspectiva #01

As vezes a gente olha pro passado,
despretenciosamente mesmo,
olhando só por olhar,
e percebe que as coisas já foram piores.

Na verdade ter uma perspectiva
já é algo a ser comemorado.
E quando percebemos que ela
não é mais torta,
é algo a ser muito comemorado.

O segredo, é ter a sua
e tentar entender a perspectiva dos outros.
Quem tá no alto do prédio se espanta:
"Como é tudo tão pequeno lá embaixo",
enquanto quem está embaixo pensa:
"Mas que prédio mais alto este".
No final todos tem razão.