quinta-feira, 14 de julho de 2016
Um Monte de Barulho Sem Sentido
Escuto o grito desesperado do cara que entrega os panfletos do dentista...
...e dos caras das fotos para documentos.
"vou passar a ligação..."
"não existe nada formalizado ainda não"
"você PRECISA ver esse vídeo"
Escuto os clicks dos mouses e os risos das pessoas.
(A tristeza segue sendo silenciosa)
Escuto o canto desafinado da pessoa ao lado.
"...deixou um recadinho pra mimmm..."
"bom dia! em que posso lhe ajudar?"
"... aqui tem tudo para o seu celular!!!"
"Atenção!! trabalhos no atacado e varejo"
E escuto minha voz, na minha cabeça barulhenta.
As vezes ela sussurra, as vezes ela grita, mas ela nunca se cala.
O Diabo diz: "seja o vilão que esperam, isso de fazer o papel de coitado não dá óscar a ninguém".
Mas o Anjo já venceu, ele sempre vence, ele é mais tinhoso que o Diabo.
"tinha um restinho lá ainda"
"não sei quem esta trabalhando nisso"
"olhe isso aqui logo por favor"
As vezes fico tentando ligar a aleatoriedade das frases para tentar achar algum sentido.
Geralmente aumento o volume da música.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
O que um raio desenhado no rosto não consegue sintetizar
sábado, 7 de novembro de 2015
Livre-se dessas convivências forçadas (Deve ser o que chamam túnel do tempo)
Por isso, tenho pensado que se um dia pretendo realmente sentir-me realizado nesse processo de movimento continuo ou inexplicável inercia que é existir, devo despir-me daquilo que me foi imposto: Convivências forçadas.
Diariamente somos obrigados a conviver com o ódio, que por sua própria natureza se multiplica em nós mesmos, como doença contagiosa que nos priva os sentidos e embaça a nossa visão das coisas. Mas quando se está bem consigo mesmo, uma barreira é construída ao redor de nossa consciência, bloqueando os ataques do ódio.
O tempo passa, e em sua passagem leva consigo muitas coisas e trás tantas outras. Sim, a verdade está também nos clichês e nas frases prontas. Ser sábio não é necessariamente ser inovador, afinal a inovação pode ser apenas uma nova perspectiva aplicada a um velho costume.
Tudo isso é muito subjetivo, mas a subjetiva das coisas sempre me encantou.
"Há uma luz no fim do túnel e não é um trem na contramão".
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Buscar uma motivação para toda essa falta de sentido
Mas aquele com o olhar mais atento, ou mais treinado pelas circunstancias, consegue visualizar a verdade escondida por trás daquele rosto sem expressão.
Havia uma especie de sangue-suga ou verme preso sob sua cabeça, sugando lentamente sua mente. Preso por correntes fortes, não tinha como escapar do seu fardo, pois ele se apresentava na forma de pertenças responsabilidades.
Em seus momentos de pausa, a corrente era acrecida de mais alguns metros a fim de dar-lhe uma falsa sensação de liberdade. Mas em seu cerne, o verme continuava agir, sugando suas forças e
seus anseios por real liberdade.
Com o passar do tempo, por mais breve que foste esse passar, seu semblante se esvaziava de significância. Ansiava apenas os momentos de solidão, quando podia se despir da mascara de serenidade que escondia sua loucura. Somente um objetivo poderia libertá-lo daquela situação, mas o preço não era baixo.
Ter um objetivo para ele, seria encarar as coisas em função de algo, buscar uma motivação para toda aquela falta de sentido.
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Uma questão de perspectiva #03
que a gente já vendeu,
por um preço bem barato,
só pra poder valorizar,
o restinho de vida que sobra,
isso sem levar em conta,
o resto desse resto,
que a gente usa,
pra tentar esquecer da vida?
Quem vem me prestar as contas,
desses tantos momentos que gastos,
pra ficar com as migalhas,
dos momentos que me sobram,
pra tentar me contentar,
com essa estória de "verdade"?
Pois que venha me aliviar o fardo,
daquilo que levo comigo,
seja pra longe ou pra perto,
que é ter que lidar todos os dias,
com a presença de mim mesmo.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
A essência dúbia de uma parede
Certo dia numa cidade, caminhava tranquilo pensando no nada, que de tão inconcebível me pego sempre pensando nele. Na realidade as pernas são a força propulsora de minha cabeça, o seu movimento ativa as engrenagens de minha mente confusa, por isso quando me toma a angústia, me ponho em serena caminhada.
Pois nesse dia algo desviou a atenção dos meus questionamentos interiores: triste lamento vindo de um ponto próximo ao que me encontrava. Curioso e sinceramente tocado por aquele choro, procurei sua origem. Descobri que vinha do muro lateral de uma casa, não de dentro do muro, mas do muro em si. Decidi pois questionar o motivo do pranto daquela figura singular feita de tijolos.
— Bom dia senhor, se me permite, não pude deixar de notar vosso pranto, tomo a liberdade de perguntar-te o motivo, se não for ofensivo de alguma forma claro.
— De forma alguma, pois em todos esses anos em que canto minha dor, tu és o primeiro a se interessar por ela, — seu pranto cessara mas sua voz continuava triste e lamentosa — penso que nem todos tem ouvidos para ouvir-me.
— Pois bem então diga-me, que mal te toma assim dessa maneira, que mesmo em bom estado de conservação, e cercando uma residencia que apesar de não ser tão grande, possui uma aparência extremamente digna, choras de forma tão copiosa?
— Meu caro, lamento minha própria essência, fatalmente dúbia. A angústia me toma de tal forma que só em penar no meu ser, me acabo em lágrimas.
— Pois também eu vivo em angústia, e de tanto conviver com ela já lhe sou terno, aprendi a examina-la como parte de minha jornada. Mas me conte mais a respeito dessa sua essência dúbia.
— Acontece que, sou feito para proteger, mas também sou feito para aprisionar. Isso me impede de ter um propósito claro pois tiro e dou liberdade. Não consigo me definir de forma clara pois nunca soube, nem nunca sei onde termina uma função e começa outra, apenas faço, e isso me deixa triste.
— Se lhe serve de consolo, todos temos um pouco dessa natureza, te digo isto com convicção. Tente examinar seu caso por um prisma diferente, pois liberdade e falta de liberdade, estão condicionadas a nossa compreensão, que sofre com os caprichos do meio que nos molda. Saiba que um dia eu retornarei ao seu encontro e nesse dia espero que tenha dispertado uma visão menos pragmática a respeito de si. Por hoje devo partir pois minha hora é chegada.
terça-feira, 26 de maio de 2015
A Reunião
Nesta reunião em especial, por insistência do terceiro membro, os sócios admitiram a entrada dum quinto membro, isso lhe custaria uma advertência por parte do chefe mais tarde e do quarto membro no decorrer da própria reunião.
Bem, pode-se dizer que o convidado não só não acrescentou nada ao debate, mas também subtraiu muito dele, por sua própria natureza de ser falante. Ser falante não é bem o problema, mas sim as falas que se apresentaram extremamente deslocadas de sentido no contexto geral daquela reunião.
O fato é que no fim das contas, a produtividade foi prejudicada por este evento. Só o tempo poderá diminuir os efeitos desta falha, mas algum esforço também se fará necessário por parte dos três primeiros membros. Usar o tempo ao seu favor, é isso que se faz necessário nos dias de hoje.
— Tenho um grande apreço por ti, isso não nego, mas a falta de contexto é evidente em suas falas — dizia o terceiro membro, sob a influência do quarto, no dia seguinte a reunião, para o convidado — Não quero lhe magoar, mas sua presença não é
algo que queremos no futuro.
— O fácil é o certo, em verdade te digo, não vejo mal em ser como sou — respondia o ex-convidado num tom de voz que revelava velada mágoa — se não vos agrada minha essência, saibam que não faço questão da vossa.
E assim foi cortado um antigo laço de amizade e companheirismo. Por mais que eles ainda vivessem juntos, por mais agradável que fosse para um estar na companhia do outro, uma barreira invisível os separava de alguma forma, tudo iniciado naquela reunião.


